Incompetência Empática

Muita gente se pergunta por que se relaciona com pessoas que são o oposto delas. Aqui falo de relacionamentos sem considerar a natureza, pois o comportamento padrão não classifica isso. O ditado diz que os opostos se atraem. Talvez sim, mas já parou para pensar por quê? É isso que este texto aborda.

O ditado diz que os opostos se atraem. Talvez sim, mas já parou para pensar por quê?

Tomemos como exemplo um casal de namorados. Um é muito focado no outro, e o outro muito focado em si mesmo. Em princípio, numa análise superficial, julgamos que um seja bobo, ingênuo e bonzinho demais enquanto o outro seja egoísta, egocêntrico e acredita que o mundo gira em torno dele e do universo, se não trabalha pelas demandas, necessidades e prioridades dele, deveria.

Olhando por cima, o raciocínio e interpretação faz sentido. Mas essa conclusão não me leva a preferir um a outro, e sim a me perguntar como duas pessoas com focos tão distintos foram se encontrar e culminar num relacionamento.

Qual é a dinâmica disso?

Vejamos: se uma pessoa altamente altruísta é incompetente no que diz respeito a se priorizar (por incompetente entende-se no sentido literário da palavra e não a forma pejorativa que usamos vulgarmente) e termina sempre sendo vítima do próprio comportamento, em que permite que o outro a subtraia, subjugue e seja usada sem receber nada em troca. O que isso nos diz? Que essa pessoa precisa aprender a ter um limite para seu altruísmo, certo? 

Desta forma, geralmente inconsciente, se atrai por alguém que seja competente no que diz respeito a dar-se valor e se priorizar, pois é o aprendizado dela. Oras, como ela poderia aprender a ser mais generosa consigo mesma se relacionado com alguém como ela?

Sendo assim, o oposto também é verdade. Uma pessoa altamente egoísta, em geral, sequer se dá conta de sê-lo, pois para ela é tão obvio que seus objetivos, vontades, demandas e necessidades vêm em primeiro, segundo, terceiro, quarto e em todas as posições, que nada mais natural que os outros se interessem em doar-se a ela e suprir suas necessidades. 

Por que seria diferente? Considerando isso, como esta pessoa poderia sair com alguém como ela? A seu ver, o egoísta é o outro sempre. Não porque ela é má, mas porque esse é o ponto de vista dela, o jeito como enxerga o mundo e a único meio possível dela equalizar essa visão e aprender a necessidade de se doar também, é estando com alguém que seja seu verdadeiro oposto. A forma de isso acontecer é buscando no outro aquilo que falta em si, mesmo que não nos demos conta disso.

Concluindo esse pensamento, quando se deparar com uma pessoa que tem tudo o que você não gosta, que te incomoda ou que não aprova, quanto mais cedo entender o que ela tem para te ensinar, mais cedo aprenderá, crescerá, amadurecerá e mudará sua forma de relacionar-se com ela.

Não quero com isso dizer que o outro vai melhorar, pois essa percepção é uma experiência íntima, uma evolução pessoal e cada pessoa é única, com seus próprios valores, crenças e limitações. Sendo assim, sua habilidade em se desenvolver nisso ou naquilo mais rápido ou de forma mais lenta não indica que você é melhor ou pior que os demais, significa apenas que essa é sua forma de evoluir.

A incompetência empática é uma característica que noto cada vez mais evidente nas pessoas. Há uma confusão quanto ao significado da palavra empatia, que quer dizer ao colocar no lugar do outro. Mas, observe! Se colocar no lugar do outro implica em sair do seu espaço, do seu mundo, deixar seus recursos, sejam financeiros, emocionais, materiais ou comportamentais, e ir para o lugar dele, assumindo suas capacidades e limitações, recursos e necessidades, olhar com o olhar do outro e não levar o problema para seu mundo e ver como você faria se o problema fosse seu.

Sempre digo que para ajudar ao outro a premissa mais importante é entender que o problema não é seu, é dele. Uma vez compreendido isso, você poderá analisar o problema com o olhar e urgência dele e entender porque para ele algo que você considera simples tem proporções de um bicho de sete cabeças segundo a compreensão dele.

Atraímos o oposto para garantir que a evolução, aprendizado, desenvolvimento e maturação humana siga acontecendo.

Por isso, quando se perceber intrincado com pessoas de mesmo padrão, pergunte-se: O que preciso aprender para seguir crescendo? O que o outro está me dizendo que preciso desenvolver em mim? Permita-se encarar sua falha para poder seguir crescendo.

Quando admitimos o ponto a ser desenvolvido é que assumimos a responsabilidade do aprendizado e de nós mesmos.

O mundo não te faz sofrer, é você quem sofre não assumindo a necessidade de se transmutar e evoluir para mudar aquilo que você atrai, consciente ou inconscientemente, para si.



Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor identificado abaixo.

Adriana de Oliveira Mendes

Adriana de Oliveira Mendes

Life Coach

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