A ideia de intenção em coaching
Deixe-me explicar o que quero dizer com intenção em relação às habilidades de coaching e entender como isso vai lhe permitir ser mais eficaz.
Habilidades são coisas do “jogo externo”, assim como comportamentos e competências. Como podem ser descritas e medidas, você terá a exata noção do que precisa ser feito. Entretanto, a noção de “competências”, tão prestigiada por aqueles que defendem a reengenharia nas organizações, é insuficiente para nossa tarefa. Esse tipo de noção não nos fornece dados suficientes sobre quando ou porque usar a habilidade ou o comportamento ou, mais importante ainda, para que propósito.
Posso saber muito bem que um estilo específico de pergunta, digamos, uma pergunta aberta, é uma ferramenta útil, mas, se eu o utilizar indiscriminadamente, não vou ajudar o player. Se as habilidades são parte do jogo externo, então já um jogo interno correspondente. A eficácia real está em entender ambos os componentes, interno e externo.
Ao treinar coaches e gerentes de linha, observo-os frequentemente no trabalho.
O entendimento da intenção
Quando percebo que fazem questionamentos ou intervenções desnecessárias para o desenvolvimento do player, invariavelmente pergunto: “Qual foi sua intenção?”.
A “intenção” é o jogo interno da pergunta, habilidade ou competência certas. Por intenção, quero dizer o propósito ou a meta do coach ao usar uma ou mais habilidades.
No coaching (e não apenas nele), entender a sua própria intenção a qualquer momento é um componente central para se tornar mais eficaz. Quando pergunto sobre sua intenção a coaches novos, recebo muitos tipos de resposta. Na maior parte das vezes, eles apontam a necessidade do coach de resolver, consertar, curar, estar certo ou estar no controle; tais intenções raramente ajudam o player a se tornar mais consciente ou tomar responsabilidade.
Possível diálogo em um treinamento de coaching
PLAYER (em um workshop): Do modo que vejo, há duas coisas que posso fazer: posso pedir ao meu gerente que reveja a decisão ou fazer o que acho que é melhor e esperar que ele não descubra.
COACH EM TREINAMENTO: Você pensou em falar com o resto da equipe?
COORDENADOR DO PROGRAMA PARA O COACH: Qual é a sua intenção com essa pergunta?
COACH EM TREINAMENTO: Bem, as duas opções são um pouco arriscadas, e eu acho que ele deve encontrar uma outra abordagem.
COORDENADOR DO PROGRAMA: Então há duas partes aqui: você acha que é arriscado e que ele precisa de uma outra abordagem. Qual é sua intenção específica?
COACH EM TREINAMENTO: Acho que eu estava tentando puxá-lo para o que acho que ele deve fazer.
COORDENADOR DO PROGRAMA: Qual seria a intenção mais apropriada?
COACH EM TREINAMENTO: Primeiro, ajudá-lo a avaliar os possíveis riscos nas abordagens que ele identificar, e, então, se os riscos forem grandes, pensar em outras opções.
COORDENADOR DO PROGRAMA: Qual é, então, a pergunta para o player?
COACH EM TREINAMENTO: Posso perguntar-lhe o que pode acontecer se ele prosseguir com qualquer uma das abordagens que identificou. Ao ser claro sobre as intenções, o coach tende a fazer perguntas mais eficazes. Mas entender a sua intenção lhe dá mais que isso: permite que ele fale diretamente com o Self Dois e, portanto, faz com que as questões fluam com pouco ou nenhum esforço e grande precisão. E é muito mais divertido.
Esse texto possui informações extraídas do livro “Coaching Eficaz” de Myles Downey, editora CENGAGE Learning, 3ª edição, 2010.
Evolução que Conecta Pessoas ao Sucesso
Com mais de 23 anos de experiência, Sulivan França é referência em gestão de pessoas e desenvolvimento humano. Fundador da SLAC Educação e líder de empresas como Human Solutions Brasil, ele já impactou mais de 98.000 pessoas no Brasil e na América Latina, transformando vidas e negócios.
Formação e Especialidades
Sulivan combina expertise em Neurociências, Psicanálise e Gestão de Recursos Humanos, com uma visão estratégica apoiada por um MBA em Gestão Empresarial e Planejamento Tributário, alinhando crescimento sustentável, bem-estar e estratégia.