O coaching da equipe de aprendizagem
Aprendizagem das equipes é um ingrediente central da aprendizagem organizacional. Simplesmente não é possível que a organização como um todo aprenda se suas equipes de trabalho não estão desenvolvendo novos conhecimentos e habilidades.
E, além disso, é preciso que os times compartilhem esses novos recursos entre si. Citei o especialista Peter Senge, na introdução deste trabalho, que critica a ênfase na aprendizagem individual na maioria das organizações.
Ao mesmo tempo, Senge insiste que a equipe é a unidade crucial em que se dá a aprendizagem da organização. Já a norte-americana Amy Edmondson, pesquisadora de Harvard, faz uma interessante descrição sobre a aprendizagem da organização.
Para ela, esse conceito é um processo de oportunidades sequenciais de aprendizagem nas equipes. Mesmo que transcorram de forma independente, essas oportunidades têm efeitos interdependentes que alcançam o desempenho de toda a empresa.
Naturalmente, as equipes aprendem continuamente tanto no ambiente interno como no externo. Entretanto, é preciso acrescentar que existe uma enorme diferença entre a aprendizagem inconsciente e difusa e aquela que tem um propósito.
Essa última é consciente e está diretamente relacionada à realização da tarefa de uma equipe. Algo sempre importante. Por vezes, os integrantes de uma equipe estão todos dedicados a comportamentos deliberados e relativos ao aprendizado.
Metas individuais e coletivas
Quando isso acontece, a equipe aperfeiçoa sua capacidade para se adaptar ao ambiente e para atuar com eficiência nesse ambiente. As pessoas podem ter diversas metas de aprendizagem mais ou menos alinhadas com as da aprendizagem da equipe.
Isso pode ocorrer do mesmo modo como os indivíduos levam suas metas individuais para a equipe e as integram em metas coletivas compartilhadas. Por exemplo, um funcionário cerca de 30 anos se mostrou honesto ao falar sobre a permanência em sua atual equipe:
“Passei algum tempo nos departamentos de informática, de compras e de vendas. Agora quero conseguir experiência em gerenciamento contábil para adquirir um repertório abrangente sobre todas as esferas importantes de varejo.”
E prosseguiu: “Depois, vou me transferir para o setor de treinamento no qual terei mais credibilidade, porque suei para aprender como a empresa funciona”. Num nível, sua meta de aprendizagem era muito diferente da dos colegas e daquela equipe como um todo.
Contudo, reconhecer essa diferença que o gerente poderia aproveitar, para o bem de todos, o entusiasmo daquele funcionário para aprender tanto e tão depressa. Além disso, ele se mostrava bastante motivado a compartilhar seus conhecimentos de outras funções.
Com isso, a equipe levou vantagem ao realizar suas metas graças às relações que ele havia construído por suas funções no treinamento. Assim, a aprendizagem da equipe é um processo que pode ser administrado em benefício dos indivíduos, da equipe e da empresa.
A aprendizagem organizacional pode ser vista como um processo de oportunidades sequenciais de aprendizagem em equipe, mesmo que transcorram de forma independente. Afinal, têm efeitos interdependentes que alcançam o desempenho de toda a empresa.
Aprendizagem e diversidade: diferença de perspectivas
Parece realmente óbvio que existem mais oportunidades de aprendizagem quando as pessoas são diferentes em um ambiente. Mas tal como em relação a outros problemas de equipe, isso não é tão simples quanto parece a princípio.
Quanto aos indivíduos, nossa experiência prática com coaching e mentoring nos indica algumas coisas. Por exemplo, a qualidade dos relacionamentos e o potencial para aprender dependem de dois fatores principais.
- Identidade (personalidade, gênero, histórico racial e cultural etc.)
- Experiência (registros, conhecimentos, qualificações, interesses etc.).
O problema é que uma excessiva similaridade cria apenas oportunidades estreitas de aprendizagem. Isso mesmo quando há acentuada boa vontade da parte de todos para se envolverem em atividades de coaprendizagem.
Afinal, os relacionamentos com alto potencial de aprendizagem podem carecer de falta de vínculo entre os indivíduos. Com isso, surgem obstáculos que impedem alguns de valorizar os colegas como possíveis fontes de aprendizagem.
Similaridades x diferenças
Outras reações negativas à diversidade decorrem de certos impulsos psicológicos básicos fortes. A necessidade de nos sentirmos parte de um grupo nos leva a atribuir qualidades negativas às pessoas que percebemos como diferentes de nós.
Como exemplos, subestimamos sua inteligência, sua boa vontade, sua honestidade e sua competência. Em contrapartida, costumamos atribuir mais qualidades positivas às pessoas que parecem semelhantes a nós.
É quase como se, ao criticar pessoas “como nós”, estivéssemos atacando a nossa autoimagem e autoestima. Consistentemente, executivos superestimam a capacidade e a motivação de sua própria equipe em comparação a da concorrência.
E, ao fazer isso, aumentam sua resistência a oportunidades de aprender de outras fontes. Em resumo, há uma barreira instintiva, profunda mesmo, a aprender com o que é diferente. Esses mesmos fenômenos aplicam-se igualmente ao ambiente interno à equipe.
A professora de gestão Erica Foldy recorre às pesquisas de Ely e Thomas, sobre “perspectiva da diversidade” em grupos. Além disso, ela recorre a esses estudos para uma revisão do que promove a aprendizagem em grupos culturalmente diversos.
As considerações acima são de “Coaching Eficaz: Como orientar sua equipe para potencializar resultados”, obra de David Clutterbuck.
Conclusão
O coaching aplicado às equipes, em um ambiente organizacional, desempenha um papel fundamental na promoção da aprendizagem. Vimos isso em consonância com as observações de especialistas como Peter Senge e Amy Edmondson.
Por meio de suas pesquisas, fica evidente que o aprendizado organizacional emerge das equipes. Seu crescimento, seu ambiente interno e externo moldam um cenário propício ao desenvolvimento coletivo e, consequentemente, para o sucesso da empresa como um todo.
Além disso, podemos acrescentar que a diversidade de perspectivas em um ambiente de aprendizagem é um fator crucial para estimular novas oportunidades de aprendizado. Contudo, nem sempre é tão simples quanto parece.
Apesar do aparente potencial para aprendizagem em ambientes diversos, a similaridade excessiva entre os indivíduos pode limitar essas oportunidades. Afinal, a ausência de diversidade é capaz de reduzir os espaços para aprendizagem.
As barreiras psicológicas inerentes à percepção da diferença podem obstaculizar o pleno aproveitamento das oportunidades de aprendizado. A tendência natural de se identificar mais com indivíduos semelhantes a si mesmo tem alguns efeitos colaterais.
Pode, por exemplo, levar uma pessoa a superestimar as capacidades de um grupo interno e, por consequência, resistir a aprender com fontes externas. A resistência a aprender com a diversidade é um fenômeno profundamente arraigado.
Também podemos afirmar que se trata de um aspecto percebido tanto individualmente quanto nos ambientes de equipe. A superação dessas barreiras exige o reconhecimento e a valorização da diversidade como um ativo para a aprendizagem.
O desenvolvimento de habilidades e a conscientização sobre as vantagens da diversidade para o aprendizado em grupo são pontos essenciais. Elas são capazes de promover uma verdadeira e proveitosa aprendizagem em equipe.
Esses conceitos reforçam a importância de reconhecer a complexidade envolvida na aprendizagem de equipes. De acordo com diversos especialistas, as diferenças e similaridades desempenham papéis distintos, por exemplo.
Diante disso, reconhecer a riqueza de aprendizado proporcionada por um ambiente diversificado é crucial para impulsionar equipes a alcançarem seu máximo potencial. Por consequência, as organizações onde isso acontece colhem resultados superiores.
Evolução que Conecta Pessoas ao Sucesso
Com mais de 23 anos de experiência, Sulivan França é referência em gestão de pessoas e desenvolvimento humano. Fundador da SLAC Educação e líder de empresas como Human Solutions Brasil, ele já impactou mais de 98.000 pessoas no Brasil e na América Latina, transformando vidas e negócios.
Formação e Especialidades
Sulivan combina expertise em Neurociências, Psicanálise e Gestão de Recursos Humanos, com uma visão estratégica apoiada por um MBA em Gestão Empresarial e Planejamento Tributário, alinhando crescimento sustentável, bem-estar e estratégia.