Como é aplicada a inteligência emocional

Inteligência emocional aplicada

Casar e se manter casado é um desafio crescente e a inteligência emocional está ligada a isso. Se antes pressões sociais mantinham unido até os casais mais infelizes, hoje o cenário é outro, o que contribui para o aumento do número de divórcios nos últimos anos.

Assim, as forças emocionais do casal se tornaram cruciais para o prosseguimento de uma união. No entanto, existem realidades emocionais paralelas na vida de um casal: a dele e a dela. Embora em parte biológicas, as diferenças têm origem na infância.

Ao longo desse período e até a adolescência, garotos e garotas aprendem a lidar com os sentimentos de forma diferente. As brincadeiras em grupo de ambos os sexos são bem distintas. Em geral, os meninos fazem questão de ser independentes, autônomos e durões.

Eles brincam em grupos mais numerosos do que os de meninas e valorizam a competição. Já elas se consideram parte de uma teia de ligações. Brincam em grupos pequenos e íntimos, onde é enfatizado o mínimo de hostilidade e é valorizada a cooperação.

Em suma, esses contrastes no aprendizado das emoções promovem aptidões diferentes. As meninas tornam-se capazes de captar sinais emocionais verbais e não-verbais, de expressar e comunicar seus sentimentos.

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Já os meninos são ágeis em minimizar emoções que digam respeito a vulnerabilidade, culpa, medo e dor. Assim, a mulher chega ao casamento, de modo geral, preparada para exercer o papel de administradora das emoções.

Para elas, o mais importante em um relacionamento é a sensação de que o casal tem uma boa comunicação. Para a mulher, intimidade significa discutir tudo, sobretudo a própria relação. Mas, a maioria dos homens não entende o que as mulheres querem deles.

E não são questões específicas que resultam no rompimento de um casal. O que importa é como o casal discute pontos sensíveis na relação. Avalie: em seu relacionamento, como vocês lidam com as queixas do outro? Reflita como ambos administram os conflitos.

Inteligência emocional aplicadaCríticas corrosivas

Numa discussão, se um dos dois faz críticas pessoais ao outro, em vez de se atentar a um fato ou ação, isso irá corroer a relação. Imagine que em vez de dizer “fiquei chateada com seu atraso”, a mulher afirma: “você é egocêntrico e indiferente e nunca liga para mim”.

Nesse exemplo, a crítica é ao caráter do marido, não ao ato específico dele. Provavelmente, o marido adotará uma atitude defensiva, em vez de procurar medidas para melhorar. Se a crítica vem acompanhada de desprezo, pior ainda.

Existem pensamentos que envenenam um casamento. Ocorrem se rancor e ressentimento são continuamente alimentados por um dos cônjuges, ou ambos, em uniões problemáticas. Um dos dois se sente injustiçado e ideias perturbadoras se tornam automáticas.

Com isso, a pessoa passa a procurar qualquer coisa que confirme o sentimento de ser vítima de uma injustiça. Se o casal fica preso em um ciclo de crítica e desprezo, isso reflete a desintegração da autoconsciência, do autocontrole emocional e da empatia.

Numa situação como essa, ambos estão sempre na defensiva e alimentando pensamentos angustiantes. E na medida que a série de brigas cresce, é fácil perder o controle. Então, como proteger um casamento? Como a inteligência emocional colabora para isso?

Bom, para homens, aconselha-se não contornar o conflito, mas compreender que quando a mulher faz alguma queixa ela quer ser ouvida. E pode estar fazendo isso como um ato de amor. Já a mulher precisa ter o cuidado de não agredir o marido ao se expressar.

Ao reclamar, ambos devem focar na ação e não em um ataque pessoal, sempre sem desprezo. O que falta aos casais que acabam se divorciando são tentativas, como, por exemplo, em uma discussão tentar reduzir a tensão.

É possível haver desacordos sadios, que permitem o casamento superar as coisas negativas que, quando se acumulam, podem destruí-lo. Em paralelo, cada um deve manter uma conversa desintoxicante consigo mesmo.

Nesse sentido, cada um precisa se afastar dos pensamentos negativos que possam ter contra o cônjuge. Também deve-se procurar ouvir e falar de uma forma não-defensiva. Empatia, respeito e amor desarmam a hostilidade.

Como tudo isso pode ser difícil de ser implantado na hora de uma briga, convém treinar as técnicas quando estiver calmo. Isso é importante para que elas venham como uma resposta automática no momento de perturbação.

Muito do que falamos até aqui para os casamentos serve para o mundo do trabalho. Atividades em equipe, canais abertos de comunicação, saber escutar e dizer o que pensa são tão valorizados quanto habilidades técnicas nas organizações.

Ambientes com chefes arrogantes e trabalhadores intimidados colhem queda de produtividade, descumprimento dos prazos, erros e acidentes. Em um cenário como esse, é comum a saída de funcionários para ambientes que se sintam melhor.

Baixa inteligência emocional tem custos. Quando isso se generaliza, empresas desabam e vão à ruína. Emocionalmente perturbadas, as pessoas não se lembram, não acompanham, não aprendem e não tomam decisões com clareza. A tensão as tornam idiotas.

Liderar não é dominar, mas a arte de convencer pessoas com pontos de vista diferentes a um objetivo comum. Reflita sobre como são feitas as críticas ao seu trabalho. Você tem recebido retornos e as críticas feitas são a ações e chegam com sugestões?

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Inteligência emocional aplicadaO valor do feedback

Um ponto importante para qualquer trabalho desenvolvido em equipe é o chamado retorno, ou feedback, na tradução do inglês. Trata-se de uma valiosa informação dada às pessoas para que saibam se seus esforços estão no rumo certo.

Isso permite que os funcionários verifiquem se seus trabalhos estão sendo bem executados, se precisam melhorar ou reformular totalmente. Sem isso, eles ficam no escuro. Qualquer problema que exista tende a se agravar com o tempo.

A crítica é uma das mais importantes tarefas do administrador. Porém, trata-se de algo temido e deixado de lado em muitas ocasiões. Muitos chefes dominam mal a difícil arte de dar um retorno aos liderados. Mas essa deficiência custa caro.

Como vimos, a saúde emocional de um casal está ligada à forma como eles se queixam. De maneira similar, a eficiência, satisfação e produtividade das pessoas no trabalho dependem de como lhes são transmitidos os problemas incômodos.

Críticas destrutivas, expressas como ataques pessoais, que não abrem espaço para um argumento ou sugestão de como fazer melhor deixam as pessoas impotentes e com rancor. Empregados agredidos ficam na defensiva, dão desculpas ou fogem da responsabilidade.

Ou ainda se isolam, tentando evitar qualquer contato com o administrador que os criticou. Essas reações costumam causar irritação no chefe, criando um ciclo que termina com o empregado demitindo-se ou sendo demitido, o equivalente empresarial do divórcio.

A maioria dos problemas no desempenho de um empregado não surge de repente, mas desenvolve-se com o tempo. Quando o chefe não diz imediatamente o que sente, isso leva a um lento acúmulo de frustração. Até que um dia, explode.

Se a crítica tivesse sido feita antes, o funcionário poderia ter corrigido o problema. Além disso, um comentário realizado quando se está irado pode conter sarcasmo, reclamações acumuladas ou ameaças. São recebidos como afronta e provocam raiva no criticado.

É a pior maneira de motivar alguém. Por outro lado, a crítica feita de forma hábil se concentra no que a pessoa fez e no que pode fazer, em vez de identificar um traço do caráter da pessoa em um trabalho mal feito. A arte da crítica envolve ser específico.

É preciso dizer exatamente qual é o problema, o que está errado e o que pode mudar nas atitudes da outra pessoa. Outro ponto importante é oferecer uma solução, para evitar que a pessoa criticada se sinta frustrada ou desmotivada.

Fazer a crítica, ou um elogio, pessoalmente e em particular faz tudo ser mais efetivo. Por fim, nunca devemos nos esquecer de sermos sensíveis ao criticar. Ter empatia e estar sintonizado com o impacto do que falamos para o outro é importante.

Já quem recebe uma crítica deve ver aquilo como uma oportunidade para se aprimorar e não como um ataque pessoal. Deve-se ver a crítica como a chance de trabalhar junto com quem critica para resolver o problema, e não como uma situação de confronto.

Com base no que vimos, avalie seu ambiente de trabalho atual e outros pelos quais você tenha passado, no que se refere à relação entre as pessoas. No que se refere ao à tarefa de dar e receber feedback, o que poderia melhorar neles?

Inteligência emocional aplicadaEquilíbrio emocional no ambiente familiar

No que se refere aos sentimentos, crianças extraem grandes e profundas lições de situações de estresse emocional, como as que geram angústia. Quando pais brigam na frente dos filhos, muitas vezes não se atentam para o impacto disso.

Porém, as crianças podem concluir que eles e ninguém no mundo se importam com os seus sentimentos, qualquer que seja a circunstância. Se experiências desse tipo se repetem muitas vezes durante a infância, transmitem mensagens emocionais fundamentais.

E isso é levado para toda a vida, o que pode determinar o curso dela. Em família iniciamos a aprendizagem emocional. É nesse caldeirão íntimo que aprendemos como nos sentir em relação a nós mesmos e como os outros vão reagir aos nossos sentimentos.

Nele, aprendemos como avaliar nossos sentimentos e as respostas a eles. Também descobrimos como interpretar e manifestar nossas expectativas e temores. Tomamos conhecimento de tudo isso por meio do que nossos pais fazem e nos dizem.

Porém, isso também ocorre ao ver o modelo que oferecem quando lidam, individualmente, com suas próprias emoções na vida conjugal. Alguns pais são professores emocionais bastante talentosos. Outros, infelizmente são péssimos.

Está comprovado que a forma como os genitores tratam os filhos têm consequências profundas e duradouras para a vida afetiva da criança. Recentemente, ficou claro o quanto ter pais emocionalmente inteligentes é benéfico para a criança.

A maneira como o casal lida com os seus sentimentos, além do trato direto com a criança, passa poderosas lições para os filhos. Os pequenos são aprendizes inteligentes, sintonizados com os mais sutis intercâmbios emocionais da família.

Faça um teste: reflita como era a relação dos seus pais, sob o ponto de vista emocional. Como eles passaram para você a importância de saber lidar com os sentimentos? Você diria que eles eram bons “professores emocionais” ou tinham falhas nesse ponto?

Inteligência emocional aplicadaInteligência emocional ‘hereditária’

Casais mais competentes, do ponto de vista emocional na relação conjugal, são mais eficazes quando o tema é ajudar o filho a lidar com os sentimentos. Existem três padrões mais comuns de pais inábeis emocionalmente.

Há os que ignoram qualquer tipo de sentimento do filho. Consideram a perturbação emocional dele como algo banal ou que os chateia, uma coisa que passará com o tempo. Não aproveitam o momento para se aproximar do filho e ajudá-lo.

Existem os que sabem o que o filho está sentindo, mas acreditam que qualquer que seja a forma com que a criança vá lidar com a tempestade emocional está ótimo. Raramente intervêm para sugerir ao filho um sentimento diferente.

Por fim, há os rigorosos, que não respeitam o que a criança sente. São severos nas críticas e castigos. Podem, por exemplo, proibir qualquer manifestação de raiva. Há, porém, pais que aproveitam um momento de perturbação do filho para agir como um mentor emocional.

Levam os sentimentos do filho a sério e fazem tudo para entender o que se passou e para ajudá-lo a encontrar uma forma de não se sentir tão mal. Para serem treinadores eficientes, os pais devem ter uma compreensão sobre os princípios da inteligência emocional.

Algumas aptidões emocionais são aperfeiçoadas com os amigos ao longo da vida. Apesar disso, pais emocionalmente aptos podem fazer bastante coisas para ajudar os filhos em relação a cada um dos elementos básicos da inteligência emocional.

Por exemplo, podem ensinar as crianças a aprender a reconhecer, controlar e canalizar os sentimentos. Ou ter empatia ao lidar com os sentimentos que afloram em seus relacionamentos. Pais emocionalmente aptos têm melhor relacionamento com os filhos.

Além disso, possuem mais afeição e menos tensão, quando comparados com pais inaptos em relação aos sentimentos. Essas crianças são hábeis em lidar com as próprias emoções, viram pessoas mais eficazes na procura de alívio para suas perturbações.

Também perturbam-se com menos frequência. Têm ainda baixos níveis de hormônios de estresse, são mais sociáveis, menos agressivas e mais atentas, consequentemente, aprendem melhor. Tudo isso é reflexo de estímulos recebidos desde os primeiros anos.

As aptidões emocionais que, posteriormente, as crianças adquirem formam-se em cima daquelas aprendidas na infância. Os pais precisam entender como a sua atuação pode gerar confiança, curiosidade, prazer na aprendizagem e a definir limites.

Para que seus filhos lidem bem com a vida. Os três ou quatro primeiros anos de vida são um período em que o cérebro da criança cresce até cerca de dois terços de seu tamanho final. É nesse período que os principais tipos de aprendizagem ocorrem mais facilmente.

E o conhecimento emocional é a mais importante. Um estudo mostrou que pais violentos e com histórico de agressividade têm filhos também encrenqueiros. A família era um local de aprendizagem da agressão, que acaba sendo passada de geração em geração.

Algo similar ocorre com crianças vítimas de maus-tratos. Aquelas que foram agredidas fisicamente têm menos empatia na relação com colegas e respondem à perturbação com raiva e violência. Daí a relevância de educar emocionalmente desde os primeiros anos.

Inteligência emocional aplicadaConclusão

A inteligência emocional emerge como um fator determinante tanto nas relações conjugais quanto na formação emocional das crianças. A complexidade dos vínculos matrimoniais revela a importância de compreender e aplicar essa aptidão.

Isso é especialmente valioso diante das divergências de aprendizado emocional entre homens e mulheres. A capacidade de lidar com conflitos de maneira construtiva surge como um antídoto crucial para a preservação do casamento.

Nesse sentido, é importante evitar críticas corrosivas e promover uma comunicação eficaz. A atenção às emoções na infância, destacando a influência dos pais como mentores emocionais, torna-se fundamental para o desenvolvimento saudável das crianças.

Isso se reflete em relações interpessoais mais equilibradas ao longo da vida. No âmbito profissional, a inteligência emocional não apenas aprimora as dinâmicas de trabalho em equipe, mas também evita custos associados à baixa eficiência emocional.

Em paralelo, preserva a integridade das organizações. Líderes eficazes são aqueles que conseguem convencer e motivar, em vez de dominar. Demonstram habilidades emocionais que reverberam na produtividade e satisfação dos colaboradores.

O feedback, quando bem administrado, revela-se como uma ferramenta valiosa para impulsionar o desempenho nas organizações. Trata-se de um componente essencial para corrigir problemas e orientar os esforços individuais para metas comuns.

A influência dos pais como modelos emocionais na família se estende além do ambiente conjugal. Moldam a capacidade das crianças de compreender e expressar sentimentos. A abordagem dos pais pode ser de ignorantes, permissivos ou treinadores emocionais.

Tudo isso repercute diretamente na saúde emocional dos filhos, um aspecto de grande valor. O investimento na compreensão e aplicação dos princípios da inteligência emocional desde os primeiros anos de vida revela-se crucial.

É esse empenho que colabora para o desenvolvimento de indivíduos mais resilientes, sociáveis e aptos a lidar com as complexidades emocionais ao longo de sua jornada. Em última análise, a inteligência emocional transcende as fronteiras dos relacionamentos.

Ela permeia as esferas matrimonial, profissional e familiar. Ao reconhecer sua influência, indivíduos e sociedades podem colher frutos. São relações mais saudáveis, ambientes de trabalho produtivos e o desenvolvimento emocional positivo das gerações futuras.

Autor

Evolução que Conecta Pessoas ao Sucesso

Com mais de 23 anos de experiência, Sulivan França é referência em gestão de pessoas e desenvolvimento humano. Fundador da SLAC Educação e líder de empresas como Human Solutions Brasil, ele já impactou mais de 98.000 pessoas no Brasil e na América Latina, transformando vidas e negócios.

Formação e Especialidades

Sulivan combina expertise em NeurociênciasPsicanálise e Gestão de Recursos Humanos, com uma visão estratégica apoiada por um MBA em Gestão Empresarial e Planejamento Tributário, alinhando crescimento sustentável, bem-estar e estratégia.

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